Paulo C. de F. Carvalho1, César H. E. C. Poli2, Ingrid Heringer3, Cristina M. P. Barbosa3, Laíse da S. Pontes3, Adriana Frizzo3, Cassiano E. Pinto3, José A. da F. Júnior3, Thércio M. S. Freitas3, André B. Soares4, Anibal de Moraes5, Marcos W. do Canto6.
1 Professor Adjunto, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre-RS. paulocfc@vortex.ufrgs.br
2 Pesquisador da EMBRAPA-CPPSUL, Bagé-RS.
3 Curso de Pós-graduação em Zootecnia, UFRGS, Porto Alegre-RS.
4 Professor Substituto, Univ. Federal de Santa Maria, Santa Maria-RS.
5 Professor Adjunto, Universidade Federal do Paraná, Curitiba-PR.
6 Professor da Universidade Estadual de Maringá, Maringá-PR.
1. Introdução
A partir do momento em que o homem domesticou os ruminantes, surgiu a necessidade de encontrar formas de alimentá-los. Os animais, que antes transitavam livres pela natureza, passaram, desde então, a terem seus movimentos controlados, pois para o bem das sociedades rudimentares da época os animais deveriam estar sempre próximos e disponíveis para lhes proverem alimento. Para isto, tornou-se necessário que o homem tomasse para si a incumbência de gerenciar o fornecimento de alimento dos animais domesticados. Neste momento nasceu o “manejo de pastagens”, onde o pastoralismo era a forma predominante de manejo. Desde então o homem está envolvido com o desafio de controlar o processo de pastejo. Nesta perspectiva, é quase risível concluirmos que a “alta tecnologia” de manejo dos tempos Normas racionais de manejo de pastagens para ovinos em sistema exclusivo e integrado com bovinos. atuais, passados cerca de 10000 anos da domesticação dos ruminantes, atenda essencialmente por: plantio de espécies cultivadas, fertilização, pastejo rotacionado e irrigação. As espécies cultivadas, particularmente a maioria das gramíneas e leguminosas tropicais em uso, têm a constituição genética idêntica à que já havia sido moldada pela seleção natural. Na fertilização, faz-se com adubação mineral o que sempre se fez com adubação orgânica. Pastejo rotacionado nada mais é que pastoralismo com cercas e, finalmente, irrigação se conhece desde a civilização egípcia. É isto que levamos tanto tempo para produzir e que chamamos tecnologia ?
Esta crítica se faz porque o homem, na sua ânsia de fazer com que os agentes da natureza trabalhem com exclusividade para ele, tenta modificá-los ao invés de procurar, antes, entender o seu funcionamento. Com isto explora, mas não otimiza. A sociedade humana, na sua visão antropocêntrica, sempre tem procurado dominar o ambiente, como se não fizesse parte dele. Isto se aplica ao manejo da pastagem, pois poucos reconhecem a pastagem como um ecossistema. Isto acarreta linhas de pesquisa que produzem informação, e não conhecimento, erros na aplicação do manejo e sérios prejuízos ao ambiente, exemplificados por pastagens degradadas e ecossistemas comprometidos.
Acreditamos que não há como manejar uma pastagem, ou falar de manejo racional, sem ter a noção de como ela funciona no contexto devido, o de um ecossistema pastoril. Simplificações tais como x dias de ocupação e y dias de descanso para orientação de manejo, ou a recomendação de uma determinada lotação, não abrangem a
complexidade do sistema, tornando-o instável. Conseqüentemente, propomos apresentar a pastagem como um ecossistema, mostrando toda a base de seu funcionamento para, a partir daí, discutirmos formas de otimização do sistema com vistas a um manejo racional do recurso forrageiro. Por fim, apresentaremos a altura da pastagem como variável central na busca deste manejo de pastagens racional e sustentável.
In: Normas racionais de manejo de pastagens para ovinos em sistema exclusivo e integrado com bovinos. SIQUEIRA, Edson Ramos de. (Org.). Anais do VI Simpósio Paulista
de Ovinocultura. 6. ed. Botucatu, 2002, v. 1, p. 21-50.
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