Paulo César de Faccio Carvalho1, Teresa Cristina Moraes Genro2, Edna Nunes Gonçalves3 e René Baumont4
1 Professor Adjunto do Depto. de Plantas Forrageiras e Agrometeorologia - UFRGS – paulocfc@ufrgs.br
2 Pesquisadora da Embrapa Pecuária Sul - CPPSUL
3 Doutoranda do CPG Zootecnia da UFRGS
4 Pesquisador do INRA – Centro de Theix
Introdução
Ao contrário de sistemas de “alimentação a cocho”, a busca por nutrientes por parte dos herbívoros domésticos em situação de pastejo guarda desafios singulares (Carvalho et al., 1999). Enquanto os alimentos fornecidos no cocho são, de forma geral, balanceados e com concentração de nutrientes estável, a qualidade da forragem em pastejo está em contínua mudança, fruto da dinâmica de crescimento e senescência dos componentes morfológicos do pasto (folhas, hastes, etc.), bem como de sua composição química e fenologia. Além disso, os nutrientes fornecidos a cocho se encontram numa concentração dezenas de vezes superior àquela que se encontra no pasto, e são consumidos, portanto, numa velocidade muito maior. O resultado disso é que, para o animal, é muito mais simples e eficiente colher nutrientes no cocho do que no pasto. Consequentemente, se esse sistema de alimentação fosse tão barato quanto o sistema a pasto, não haveria debates quanto à recomendação do melhor sistema de produção para ruminantes. No entanto, o custo da alimentação a cocho é bem mais elevado, sem contar com a “imagem” de sistema de produção sem apelo ecologicamente correto (vide Carvalho, 2005).
Sem querer discutir os méritos de cada sistema de produção, e sem querer entrar em um debate sem fim de qual o melhor sistema, quer-se ilustrar apenas que o fornecimento, via pasto, dos nutrientes de que os animais necessitam, é bem mais complexo e que, portanto, requer conhecimentos outros para se atingir objetivos de elevada produção animal. Neste sentido, nos auxilia muito pensarmos os sistemas de alimentação a cocho e o a pasto como sistemas em que apenas “apresentamos”, aos animais, os nutrientes de forma diferente. De forma geral, os principais nutrientes fornecidos em dieta total também estão presentes na pastagem, porém, dispersos em toneladas de matéria seca. O desafio para o animal é como colhê-los numa fração de tempo restrita pelo ritmo circadiano e pela competição com o tempo necessário para execução de outras atividades (ruminação, descanso, socialização, etc.).
O manejo do pastejo é, portanto, a arte de criar ambientes pastoris adequados à obtenção dos nutrientes requeridos. Neste sentido, a estrutura do pasto que oferecemos aos animais é de fundamental importância, pois determina o grau de facilidade dos animais em ingerir alimento. Com isso, se introduz o conceito de apreensibilidade ou ingestibilidade de forragem, atributo do pasto que afeta a velocidade de aquisição de nutrientes pelos animais em pastejo, parâmetro esse que consideramos de importância capital no manejo do pasto.
O objetivo deste trabalho é o de se apresentar o impacto que a estrutura do pasto tem sobre a facilidade e a velocidade de ingestão de forragem. Pretende-se discutir as particularidades do processo de pastejo iniciando-se por uma breve consideração sobre o controle do consumo de forragem, seguindo pela apresentação da velocidade de ingestão como conceito de manejo para, finalmente, demonstrar como a estrutura do pasto afeta a velocidade de ingestão, concluindo-se como devemos proceder para criar ambientes pastoris que potencializem o processo de ingestão.
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