Sila Carneiro da Silva 1
Domicio do Nascimento Júnior 2
1 Professor Associado do Departamento de Zootecnia, ESALQ/USP, pesquisador do CNPq, scdsilva@esalq.usp.br
2 Professor Titular do Departamento de Zootecnia, UFV, Viçosa, Pesquisador do CNPq, domicio@ufv.br
1. Introdução
A produção animal em pastagens é o resultado da interação de uma série de processos inerentes à produção de forragem, consumo e conversão da forragem ingerida em produto animal. Esses são processos bastante distintos e de objetivos muitas vezes antagônicos quando se leva em consideração o desempenho isolado de plantas e animais (Hodgson, 1990), fato que normalmente resulta em interpretações equivocadas de ocorrências no campo e gera o conceito distorcido de que “na prática a teoria é outra”. Duas são as explicações
possíveis para aqueles que se apóiam nesse tipo de argumento: (1) desconhecimento da teoria ou (2) conhecimento prático deficiente e limitado. Na verdade, as respostas de plantas e animais podem ser compreendidas e um ponto de equilíbrio ótimo entre ambos encontrado se práticas ou estratégiasde manejo fossem planejadas e idealizadas tomandopor base como plantas e animais respondem a variações em
estrutura dos pastos (e.g., altura, massa de forragem (etc.), verdadeiro elo e ponto de convergência dos processos envolvidos na produção animal em pastagens (Da Silva, 2004; Da Silva & Nascimento Jr, 2006). Essa forma de considerar e encarar o processo produtivo, levando-se em consideração as respostas de plantas e animais em condições específicas de meio, caracterizadas por estruturas de pasto e disponibilidade de fatores de crescimento, respeitando seus requerimentos e ritmos fisiológicos, corresponde à ecofisiologia
das plantas forrageiras e a ecologia do pastejo, e tem sido a forma pela qual avanços significativos têm sido alcançados em termos de práticas de manejo e produção animal.
O presente texto tem por objetivo discutir o assunto, apresentando resultados recentes de forma integrada às práticas correntes de manejo, alertando para a importância potencial e a necessidade de conhecimento acerca da ecofisiologia de plantas forrageiras como forma de permitir que ajustes finos possam ser realizados no manejo do pastejo e ganhos significativos em eficiência produtiva e produtividade gerados em pastagens tropicais.
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